Décimo título mundial x novos equipamentos

Será que Kelly Slater fez o certo ao testar modelos novos de pranchas em um ano que ele poderia conquistar seu décimo título mundial? Para mim, não.

Kelly foi para a primeira etapa de 2009, no Gold Coast na Austrália, com algumas pranchas nada convencionais. Com uma 5.6 de bico redondo, ele não teve problema para vencer a primeira fase do evento, escapar da repescagem e ir direto para o terceiro round. Surfou muito nessa primeira fase, como de costume, e realmente mereceu a vitória. Mas na terceira fase enfrentou mais uma grande promessa australiana, Julian Wilson, que entrou na competição como convidado do seu patrocinador, que também patrocina Slater.

Post 07-01

Nessa bateria, ficou claro que seu equipamento não era o ideal.  Uma 5.6 no pé da maioria dos surfistas é uma prancha pequena, que tem algumas desvantagens e vantagens até mesmo para KS. Nas batidas de frente para a onda, a manobra não sai com tanto impacto, como a prancha é muito pequena, parece não ter bico. As rasgadas continuavam potentes, com pressão e mais soltas do que com pranchas convencionais, em algumas situações parecia que ela perdia projeção. Na verdade, fica muito difícil manter uma regularidade com esse tipo de equipamento. Em uma mesma bateria, Kelly Slater podia arrepiar uma onda e na seguinte se enterrar todo de borda.

Essa é a última coisa que um competidor quer.

Julian Wilson levou a melhor na disputa, KS ficou em décimo sétimo lugar e Joel Parkinson ganhou a etapa e a liderança do circuito, usando modelos convencionais.

Perder uma bateria por falta de ondas, por errar na estratégia ou simplesmente por azar, é aceitável. Mas ver KS perdendo por usar o equipamento errado, para quem é fã dele como eu, dá uma certa tristeza. Ele continuou a temporada de 2009 usando e testado vários modelos diferentes shapeados por ele mesmo, sempre alternando excelentes com performances médias.

Seu melhor momento foi no Brasil, quando ele venceu a etapa. Apesar de errar na escolha do equipamento, surfar mal e quase perder nas fases iniciais, ele conquistou o título com uma prancha normal. Na etapa seguinte em Jeffres Bay, África do Sul, ele surfou muito na estreia (com pranchas normais), mas perdeu para seu amigo Taylor Knox, que também estava quebrando.

Em Trestles, Califórnia, ele estava com uma 5.10 shapeada por ele, que considerou mágica. Realmente estava surfando muito, até cair contra Mick Fanning na semifinal e simplesmente tudo dar errado. Mick ganhou e etapa e começou a entrar discretamente na briga pelo título, que até então parecia já ter dono. Das cinco primeiras etapas, Joel Parkinson ganhou três e colocou uma grande vantagem sobre seus adversários. Umas das armas de Fanning tem sido a regularidade, isso não quer dizer que ele esteja fazendo um surf feijão com arroz, pelo contrário, ele está surfando melhor do que nunca, arriscando muito, colocando pressão nas manobras, entubando bem para os dois lados e quase não caindo da prancha. A única mudança que fez para conquistar a etapa californiana do WCT foi usar uma prancha 5.11 nas ondas pequenas e fracas ondas de Trestles.

Com essa regularidade, ele ganhou a etapa seguinte na França e também a etapa mais difícil de 2009, em Peniche, Portugal. Com ondas que variaram de 3 pés, longas, cheias e fracas quebrando para a esquerda, até ondas 8 pés sólidas, quebrando no super beach breack português Super Tubos, com tubos impossíveis de completar. Lá, ele mostrou ser o surfista mais preparado para encarar qualquer condição e também o favorito para conquistar o título da temporada.

Post 07 - 02

Em termos de equipamentos, muita coisa ainda pode ser testada e mudada, mas acredito que isso irá acontecer muito lentamente, principalmente quando se tratam de pranchas para competidores. Kelly talvez tenha sido o surfista que mais contribuiu para mudar o conceito de pranchas até hoje, por ter diminuído radicalmente o tamanho de suas pranchas, entre o início e o meio da década de 90, e com isso melhorado muito suas performances em ondas grandes, em uma época que se pensava que para surfar ondas grandes eram necessárias pranchas com remada e não se pensava tanto em performance.

Sua primeira vitória no WCT foi em Hossegor na França com uma 6 pés, com ondas poderosas de 8 pés. A etapa que ele venceu em Gradjagam em 95, com ondas perfeitas de 8 pés, usou uma prancha 6 pés ou 6.1. Surfar em Sunset grande com uma 7 pés, em uma época em que as pranchas para Sunset estavam na casa dos 8 pés. Até o Pipe Master que ele venceu ano passado com uma 5.11 em ondas de 8 pés, para Back Door. Talvez para ele possa não parecer, mas foram mudanças importantíssimas para aumentar o nivél do surf mundial. Depois de tudo isso, ele redefiniu os padrões de pranchas.

Quem sou eu para dar conselhos para o nove vezes campeão mundial, mas para o ano que vem, espero que ele volte a usar pranchas convencionais e continue brigando pelo título e inspirando uma legião de admiradores, competidores ou não.

Novas mudanças só depois da aposentadoria.

Pedro Muller
http://www.escolapedromuller.com.br

  • About us

  • Kenner was born in 1988. In the garage of a friend surfer in California, Peter Simon had the idea of making a comfortable sandal, original and that used the best materials available, in the market. Then arose Kenner Sandals!

    Read More
  • Instagram

  • Archive

Receba nossas novidades