A "guerra das bandanas": a resenha da primeira edição de Afro Samurai

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Não sou um leitor ávido por mangás, mas curto os gibis japoneses sobre samurais ou coisas do gênero. Por isso, sempre que me perguntam qual o meu mangá preferido, de bate pronto respondo Lobo Solitário de Kazuo Koike e Goseki Kojima, publicado aqui pela Panini Comics. Há algum tempo, no entanto, faltava uma publicação do gênero com samurais nas bancas de jornal. O último publicado por aqui foi o Samurai Executor, dos mesmos autores de Lobo Solitário (também pela Panini). Tá certo que a Conrad Editora tem duas ótimas séries de samurais não concluídas – Vagabond e Blade – mas os constantes atrasos e outras confusões da editora me fazem ignorar as publicações (pena).

Enfim. Estava falando que há algum tempo não chegava nada por aqui com samurais etc… Isso até a publicação de Afro Samurai. Criada por  Takashi Okazaki, a série foi originalmente publicada no Japão na revista Nou Nou Hau e em 2007 ganhou uma animação de cinco episódios com o ator  Samuel L. Jackson dublando o protagonista. Confira a abertura do animê:

Vou tentar resumir um pouco o universo do mangá para você compreender mais ou menos o conceito por trás de Afro Samurai. O cenário é uma espécie de Japão feudal futurista e pós-apocaliptica. Ao mesmo tempo que personagens vestem quimonos e empunham espadas, eles usam celulares e fazem festas raves (com direito a DJ e tudo mais).

Nesse universo, existe um sistema de bandanas (são sete, no total) que determina quem é o homem mais forte do mundo. O portador da bandana Número Um é considerado uma espécie de deus. Apenas o dono da bandana Número Dois pode desafiar o Número Um. Como apenas o Número Três pode dasafiar o Número Dois e assim por diante até a bandana Número Sete. Esse pode ser desafiado por qualquer pessoa. A regra muda quando, num passado não muito distante, o homem mais forte do mundo é derrotado.

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O novo Número Um passa a controlar todas as bandanas, menos a de número dois, que pertence ao Afro Samurai. Com isso, há apenas duas pessoas com bandanas e por ser o último na linha hierarquica, o Número Dois pode ser desafiado por qualquer um. O objetivo do homem mais forte do mundo é dominar todas as bandanas e tornar-se invencível. Já o Número Dois deseja apenas vingar a morte do pai, que antes era o dono da bandana mais importante.

Agora que você sabe do que se trata a série Afro Samurai, vamos a resenha do primeiro volume do Mangá publicado pela Panini Comics.

O ritmo do mangá é frenético e desde o começo o autor Takashi Okazaki nos coloca no meio da ação. Nas primeiras páginas vemos a morte do pai de Afro Samurai. Depois de uma passagem de tempo, chegamos à luta entre o protagonista, já adulto, e um bando enorme de caçadores de recompensas. As páginas seguem e um grupo de anciãos – os Monges do Vazio – arma uma emboscada pro dono da bandana Número Dois. No capítulo seguinte, descobrimos que os mesmos anciãos são os responsáveis pela distribuição de panfletos que acusam o Afro Samuari de crimes hediondos e oferecem uma recompensa por sua cabeça. O objetivo, no entanto, é enfraquecê-lo, apenas. Eles sabem que só vencerão o Número Dois se ele estiver debilitado por inúmeras lutas.

Os capítulos passam e o Afro Samurai segue seu trajeto enfrentando e vencendo caçadores de recompensas ou capangas até chegar ao templo dos Monges do Vazio. Debilitado, ele enfrenta dezenas de mercenários e os anciãos. Vence todos, é claro. É nesse momento que um guarda costas do Número Um aparece e ameaça enfrentá-lo. Mas o primeiro volume de Afro Samurai acaba quando ele desiste e resolve aguardar a recuperação do Número Dois.

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Ao ler o gibi, notei uma diferença gritante entre o Afro Samurai e os protagonistas dos mangás que citei acima. O personagem não é um homem que segue e honra as tradições de um samurai. Pelo contrário, ele passa por cima de todos que se atrevem a entrar no caminho dele. Não há pessoas más ou inocentes para ele. Como dito pelo guarda costas do Número Um, Afro Samurai matou muitos em nome da vingança e fez nascer grandes sentimentos de ódio. É claro que ele será cobrado por isso.

Bem. Eu curti o mangá e já comprei a segunda edição. Claro que não chega ao dedo mindinho de Lobo Solitário e Samurai Executor, mas sem sombra de dúvidas mata minha sede por aventuras de samurais (mesmo sendo num mundo estranho com gente esquisita). Vamos ver ser o número seguinite (e último volume) supera ou mantém a pegada da primeira edição.

Afro Samurai tem 168 páginas em preto e branco e custa R$ 9,90.

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Thales Martins é jornalista, um dos criadores do blog Melhoresdomundo.net e fã de quadrinhos.

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