de setembro
 WQS Saquarema 2009

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Trabalhar como diretor de prova (responsável pelo andamento de um campeonato de surf, quem decide quando a competição começa, a que horas deve acabar, quantas baterias devem acontecer em cada dia, resumindo, ser responsável por colocar os competidores na água nas melhores condições possíveis dentro do período da competição) na etapa brasileira do WQS em Saquarema foi um grande desafio.

A maior preocupação de um Diretor de Prova é as ondas não mostrarem a cara durante o evento. Imagine ter que colocar na água surfistas do mundo inteiro que vieram ao Brasil atrás de pontos importantíssimos e premiação para conseguir a tão sonhada vaga no WCT, e as ondas não estarem à altura desse time. Aguentar a pressão de vários atletas que não querem entrar na água por alegarem que o mar simplesmente não tem condições de surf. Ou, o que é pior, ter as condições mínimas exigidas para um campeonato de surf, mas que eu sei muito bem que não irão agradar nenhum competidor, salvo alguns que têm mais facilidade em surfar ondas ruins, pequenas e ou mexidas.

Trabalhar em um evento que a previsão de ondas é boa facilita muito a vida de qualquer diretor de prova. Em Saquarema, eu tive essa sorte.

Mesmo o mar estando um pouco pequeno nos dois primeiros dias de competição, como a onda lá é muito forte os atletas conseguiam imprimir bastante velocidade e manobrar com força em ondas de meio metro. No terceiro dia, chegou uma boa ondulação e pude matar minhas saudades de ver Itaúna bombando. Ondas com quase dois metros e uma formação muito boa fizeram com que os competidores atingissem um alto nível de surf. Apesar da qualidade da onda, Itaúna não é uma onda fácil de ser surfada. Exige muita força e controle para se atacar a onda de uma forma vertical. Mesmo assim assisti a várias boas apresentações. Umas me marcaram mais, como a do carioca Pedro Henrique que mostrou muito conhecimento do pico e achou vários tubos, o estilo e pressão do japonês Massatoshi Onno, a regularidade e verticalidade do gaúcho Rodrigo Dorneles e um REENTRY do californiano Brett Simpson, que toda praia achou que ele não completaria. Nessa onda Brett começou com uma boa batida de back side para logo em seguida conseguir espaço e entrar por debaixo de um lip grosso em uma junção de uns dois metros, despencar até a base da onda, desaparecer na espuma em seguida aparecer com controle total.

A lista dos que se destacaram é muito grande, mas não posso deixar de falar da performance do grande campeão, o catarinense Neco Padaratz. Neco surfou muito bem em todas as suas apresentações, sem deixar dúvidas quanto as suas vitórias. A onda de Itaúna além de ser muito forte, tem também muita areia o que favoreceu o Neco, que precisa de espaço para definir bem sua linha nas ondas. Conseguindo muita projeção nas cavadas e atacando a onda com muita força, o resultado era água voando para todo lado, do jeito que os juízes gostam de ver.

Acabado o campeonato todos concordaram que Saquarema não pode ficar fora do calendário de competições nacionais e internacionais. Ainda mais levando em conta que a fórmula do sucesso de um campeonato de surf está diretamente ligada à qualidade das ondas. Ouvi até alguns boatos de que a etapa de Saquarema vai virar uma etapa PRIME (mais pontos) do WQS. Apenas ondas muito boas têm a honra de ganhar esse status.

Apesar de estar trabalhando, ficar hospedado em uma pousada na areia da praia de Itaúna, conseguir tempo para surfar em alguns dias, antes e após o término do campeonato, ver velhos amigos e ainda poder assistir de camarote a um verdadeiro show de surf, tornaram minha estadia em Saquarema um grande prazer.

Grande abraço.

Pedro Muller

http://www.escolapedromuller.com.br

Por: Equipe Sandálias Kenner