de novembro
 Título de 2007 finalmente pode ser definido

Após não comparecer ao exame antidoping, realizado durante a última etapa do Super Surf de 2007, o atleta Jihad Kohdr perdeu os pontos e a premiação da etapa.

Ele, que até aquele momento era o líder do circuito e com os pontos conquistados na etapa (ele ficou em terceiro lugar na etapa realizada no Rio de Janeiro) teria sido o campeão brasileiro de 2007, viu seu título escapar.

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O ano de 2007 teria sido perfeito para Jihad. Ele conquistou sua vaga para o WCT de 2008 e teve uma performance arrasadora no Super Surf, onde poderia ter conquistado seu segundo título de campeão brasileiro. Depois de ter sido sorteado entre os quatro finalistas para fazer o exame antidoping e não comparecer, a Abrasp (Associação Brasileira dos Surfistas Profissionais) teve que fazer valer suas regras: um ano de suspensão, perda de pontos e premiação da etapa em que foi realizado o exame. Dessa forma, ele caiu para a segunda posição no ranking.

Se fosse simples assim, o ubatubense Renato Galvão passaria a ser o campeão brasileiro de 2007,  já que ele foi o vencedor da última etapa e havia ficado em segundo lugar no ranking. Só que Jihad entrou com recurso contra a Abrasp e o título ficou suspenso.

Para Jihad que entrou na elite do surf mundial e automaticamente teria que parar de disputar qualquer prova do circuito nacional, não seria tão ruim já que ele ganharia tempo para brigar judicialmente pelo título, mas dois anos depois e perto de perder sua vaga no WCT, ele está tentando um acordo com a Abrasp.

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Ele pretende tirar o processo contra a entidade e em troca poder participar dos campeonatos homologados pela Abrasp já no ano que vem. De acordo com a regra, ele poderia ficar até um ano suspenso, uma vez que os dois anos que ele esteve no WCT não contam e o processo estava suspenso. O advogado da Abrasp, José Roberto Hannig, acha que a perda do título e consequentemente a perda do carro destinado ao campeão brasileiro já são punições suficientes.

Quem não quer abrir mão da suspensão são os conselheiros dos surfistas e representantes das federações, pois acham que a entidade foi muito prejudicada financeiramente, além de todo o processo ter sido ruim para a imagem do esporte. Para Marcelo Andrade, Diretor Executivo da Abrasp, muito dinheiro já foi gasto e não se sabe quanto mais ainda irá ser gasto se não fizermos um acordo, além de concordar com José Roberto.

Como Presidente da Abrasp, espero que possamos chegar a um acordo o mais breve possível, pois todo esse processo tem sido longo, cansativo e muito prejudicial para a imagem do surf.

Abraços.

Pedro Muller

Por: Equipe Sandálias Kenner

de novembro
 Décimo título mundial x novos equipamentos

Será que Kelly Slater fez o certo ao testar modelos novos de pranchas em um ano que ele poderia conquistar seu décimo título mundial? Para mim, não.

Kelly foi para a primeira etapa de 2009, no Gold Coast na Austrália, com algumas pranchas nada convencionais. Com uma 5.6 de bico redondo, ele não teve problema para vencer a primeira fase do evento, escapar da repescagem e ir direto para o terceiro round. Surfou muito nessa primeira fase, como de costume, e realmente mereceu a vitória. Mas na terceira fase enfrentou mais uma grande promessa australiana, Julian Wilson, que entrou na competição como convidado do seu patrocinador, que também patrocina Slater.

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Nessa bateria, ficou claro que seu equipamento não era o ideal.  Uma 5.6 no pé da maioria dos surfistas é uma prancha pequena, que tem algumas desvantagens e vantagens até mesmo para KS. Nas batidas de frente para a onda, a manobra não sai com tanto impacto, como a prancha é muito pequena, parece não ter bico. As rasgadas continuavam potentes, com pressão e mais soltas do que com pranchas convencionais, em algumas situações parecia que ela perdia projeção. Na verdade, fica muito difícil manter uma regularidade com esse tipo de equipamento. Em uma mesma bateria, Kelly Slater podia arrepiar uma onda e na seguinte se enterrar todo de borda.

Essa é a última coisa que um competidor quer.

Julian Wilson levou a melhor na disputa, KS ficou em décimo sétimo lugar e Joel Parkinson ganhou a etapa e a liderança do circuito, usando modelos convencionais.

Perder uma bateria por falta de ondas, por errar na estratégia ou simplesmente por azar, é aceitável. Mas ver KS perdendo por usar o equipamento errado, para quem é fã dele como eu, dá uma certa tristeza. Ele continuou a temporada de 2009 usando e testado vários modelos diferentes shapeados por ele mesmo, sempre alternando excelentes com performances médias.

Seu melhor momento foi no Brasil, quando ele venceu a etapa. Apesar de errar na escolha do equipamento, surfar mal e quase perder nas fases iniciais, ele conquistou o título com uma prancha normal. Na etapa seguinte em Jeffres Bay, África do Sul, ele surfou muito na estreia (com pranchas normais), mas perdeu para seu amigo Taylor Knox, que também estava quebrando.

Em Trestles, Califórnia, ele estava com uma 5.10 shapeada por ele, que considerou mágica. Realmente estava surfando muito, até cair contra Mick Fanning na semifinal e simplesmente tudo dar errado. Mick ganhou e etapa e começou a entrar discretamente na briga pelo título, que até então parecia já ter dono. Das cinco primeiras etapas, Joel Parkinson ganhou três e colocou uma grande vantagem sobre seus adversários. Umas das armas de Fanning tem sido a regularidade, isso não quer dizer que ele esteja fazendo um surf feijão com arroz, pelo contrário, ele está surfando melhor do que nunca, arriscando muito, colocando pressão nas manobras, entubando bem para os dois lados e quase não caindo da prancha. A única mudança que fez para conquistar a etapa californiana do WCT foi usar uma prancha 5.11 nas ondas pequenas e fracas ondas de Trestles.

Com essa regularidade, ele ganhou a etapa seguinte na França e também a etapa mais difícil de 2009, em Peniche, Portugal. Com ondas que variaram de 3 pés, longas, cheias e fracas quebrando para a esquerda, até ondas 8 pés sólidas, quebrando no super beach breack português Super Tubos, com tubos impossíveis de completar. Lá, ele mostrou ser o surfista mais preparado para encarar qualquer condição e também o favorito para conquistar o título da temporada.

Post 07 - 02

Em termos de equipamentos, muita coisa ainda pode ser testada e mudada, mas acredito que isso irá acontecer muito lentamente, principalmente quando se tratam de pranchas para competidores. Kelly talvez tenha sido o surfista que mais contribuiu para mudar o conceito de pranchas até hoje, por ter diminuído radicalmente o tamanho de suas pranchas, entre o início e o meio da década de 90, e com isso melhorado muito suas performances em ondas grandes, em uma época que se pensava que para surfar ondas grandes eram necessárias pranchas com remada e não se pensava tanto em performance.

Sua primeira vitória no WCT foi em Hossegor na França com uma 6 pés, com ondas poderosas de 8 pés. A etapa que ele venceu em Gradjagam em 95, com ondas perfeitas de 8 pés, usou uma prancha 6 pés ou 6.1. Surfar em Sunset grande com uma 7 pés, em uma época em que as pranchas para Sunset estavam na casa dos 8 pés. Até o Pipe Master que ele venceu ano passado com uma 5.11 em ondas de 8 pés, para Back Door. Talvez para ele possa não parecer, mas foram mudanças importantíssimas para aumentar o nivél do surf mundial. Depois de tudo isso, ele redefiniu os padrões de pranchas.

Quem sou eu para dar conselhos para o nove vezes campeão mundial, mas para o ano que vem, espero que ele volte a usar pranchas convencionais e continue brigando pelo título e inspirando uma legião de admiradores, competidores ou não.

Novas mudanças só depois da aposentadoria.

Pedro Muller
http://www.escolapedromuller.com.br

Por: Equipe Sandálias Kenner

de outubro
 Kelly Slater sai da briga pelo título de 2009

Após perder para Owen Wright, a grande revelação australiana de apenas 19 anos, pela segunda vez em 2009, Slater está fora da briga pelo título de campeão mundial de 2009.

A disputa foi considerada a melhor e mais acirrada da segunda fase do Rip Curl Pro Search, em Peniche Portugal. Slater 14.36 x Wright 14.83.

O australiano que entrou na competição como convidado do patrocinador do evento, vem mostrando que vai dar muito trabalho no WCT de 2010. Atualmente, em terceiro lugar na divisão de acesso, o WQS, ele já conquistou pontos suficientes para garantir sua vaga na elite do surf mundial.

O ano de 2009 não poderia ser melhor para Wright, invicto nas etapas do Pro Junior (até 20 anos), o que garantiu o passaporte para o WCT de 2010 e para finalizar, superou duas vezes do maior fenômeno do surf mundial.

Ele tem tanto potencial quanto Jordy Smith e Danny Reynolds, mas pelo que parece é ainda mais competitivo. Os dois, Jordy e Reynolds, têm habilidades para se tornarem campeões mundiais, mas só agora em seu segundo ano no WCT é que os resultados estão aparecendo. Mesmo assim, ainda estão muito longe de uma briga pelo título.

É muito diferente quando você disputa um campeonato sem se preocupar em garantir uma vaga para o ano seguinte ou sem a pressão de conquistar um título mundial, mas competir com o nove vezes campeão mundial, na frente de 20 mil pessoas, não é tarefa fácil nem para os mais experientes competidores.

E não é só nesse ponto que Owen Wright se sobressai, ele é um surfista muito versátil, surfa bem para os dois lados e também um excelente tube rider. Surfou bem em Pipeline no ano passado, tem um repertório de manobras aéreas impressionantes e talvez seja um dos que mais completam esse tipo de manobras, no free surf ou em competições.

Com todas essas qualidades, ele entra no Wct para brigar pelas primeiras posições e não para fazer volume.

Com alguns pequenos ajustes, como aumentar um pouco o tamanho de sua prancha, já que ele é muito alto e com isso ganhará mais power em suas manobras, acumular mais hora de vôo em Pipe e Teahupo, ele terá condições de terminar entre os 10 primeiros no ranking em sua estreia no WCT e, quem sabe em breve, se juntar aos poucos surfistas que têm condições de se tornarem campeões mundiais.

Abraços.

Pedro Muller
http://www.escolapedromuller.com.br

Por: Equipe Sandálias Kenner

de outubro
 William Cardoso quase lá!

Esse foi o grande destaque da perna européia do WQS de 2009.

Das cinco etapas, uma na Inglaterra (5 estrelas), uma na França (6 estrelas), uma em Açores -Portugal (6 estrelas) e duas na Espanha (5 estrelas), William ganhou duas.

Sua primeira conquista foi em Açores, que sediou pela primeira vez uma etapa do WQS. Sem tomar conhecimento das difíceis condições, ondas com formação irregular e mexidas, mas com bastante força, seu surf potente sobressaiu.

Dono de uma das rasgadas mais fortes do circuito mundial, em algumas baterias ele nem precisou pegar as melhores ondas para conseguir as melhores notas.

Bastava achar espaço para encaixar duas manobras e conseguir um High Score, muitas vezes superando as notas de seus adversários, que com três ou quatro manobras não alcançavam seu patamar.

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Muito importante também é o fato de os juízes estarem julgando bem seu surf e não mais segurando suas notas, motivo de orgulho para um brasileiro.

A última etapa da longa e cansativa perna européia aconteceu em Pantim, na Espanha, e o catarinense de Balneário de Camboriú defendeu seu título do ano passado, vencendo pela segunda vez consecutiva.

Sua performance mais uma vez foi arrasadora durante todo o evento, mesmo quando as ondas diminuíram muito no último dia. Patada de Urso (apelido dado por seus amigos por suas manobras fortes) que é um dos surfistas mais pesados do circuito, não deixou seu ritmo cair. Na verdade, ele parecia super à vontade aplicando suas rasgadas em marolas de meio metro como se fossem em ondas com o dobro do tamanho.

Na final contra outro brasileiro, o gaúcho Rodrigo Pedro Dornelles teve uma onda que me chamou muito a atenção. Em uma direita pequena, sem força e também sem espaço, ele aplicou uma super rasgada de front side que jogou muita água para o alto e teve tempo apenas para finalizar a onda, já fechando com um FLOATER. Realmente fiquei impressionado como ele surfou forte e rápido em uma marola sem expressão.

Os juízes também gostaram de sua atuação e lhe deram mais de 7 pontos. A partir dessa onda ficou claro que ele iria ganhar o campeonato.

Com essas duas vitórias, William pulou para a décima terceira colocação no ranking do WQS, com um pouco mais de onze mil pontos. Se o circuito terminasse hoje ele teria sua vaga garantida (o WQS classifica os 15 primeiros do ranking para o WCT), mas muita água ainda vai rolar, pois existem muitos pontos em jogo. Com mais seis etapas do WQS 6 estrela para acontecer até o fim do ano, sendo que quatro delas são Prime (pontuação mais alta), muita coisa ainda pode mudar.

Acho que para garantir sua vaga no WCT ele terá que fazer pelo menos mais uma final, em uma das próximas etapas 6 estrelas (se for PRIME mais chances de garantir) ou uma combinação de resultados que coloquem mais mil e quinhentos pontos em sua soma e, assim, atingir os doze mil e quinhentos ou treze mil pontos previstos para garantir a classificação.

Seu surf está em ótima fase e pelo que parece sua cabeça também, pois entre tantos bons surfistas, entre tantos bons competidores e em condições de mar imprevisíveis, conseguir duas vitórias não é tarefa fácil.

O atleta tem que estar surfando muito e em uma sintonia onde tudo acontece a seu favor. Alcançar essa sintonia talvez seja mais difícil do que quebrar as ondas.

Mas para entrar nessa sintonia não existe fórmula, apenas muita dedicação, humildade e persistência. Pelo jeito, Patada de Urso está no caminho certo.

Abraços.

Pedro Muller.
http://www.escolapedromuller.com.br

Por: Equipe Sandálias Kenner

de setembro
 WQS Saquarema 2009

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Trabalhar como diretor de prova (responsável pelo andamento de um campeonato de surf, quem decide quando a competição começa, a que horas deve acabar, quantas baterias devem acontecer em cada dia, resumindo, ser responsável por colocar os competidores na água nas melhores condições possíveis dentro do período da competição) na etapa brasileira do WQS em Saquarema foi um grande desafio.

A maior preocupação de um Diretor de Prova é as ondas não mostrarem a cara durante o evento. Imagine ter que colocar na água surfistas do mundo inteiro que vieram ao Brasil atrás de pontos importantíssimos e premiação para conseguir a tão sonhada vaga no WCT, e as ondas não estarem à altura desse time. Aguentar a pressão de vários atletas que não querem entrar na água por alegarem que o mar simplesmente não tem condições de surf. Ou, o que é pior, ter as condições mínimas exigidas para um campeonato de surf, mas que eu sei muito bem que não irão agradar nenhum competidor, salvo alguns que têm mais facilidade em surfar ondas ruins, pequenas e ou mexidas.

Trabalhar em um evento que a previsão de ondas é boa facilita muito a vida de qualquer diretor de prova. Em Saquarema, eu tive essa sorte.

Mesmo o mar estando um pouco pequeno nos dois primeiros dias de competição, como a onda lá é muito forte os atletas conseguiam imprimir bastante velocidade e manobrar com força em ondas de meio metro. No terceiro dia, chegou uma boa ondulação e pude matar minhas saudades de ver Itaúna bombando. Ondas com quase dois metros e uma formação muito boa fizeram com que os competidores atingissem um alto nível de surf. Apesar da qualidade da onda, Itaúna não é uma onda fácil de ser surfada. Exige muita força e controle para se atacar a onda de uma forma vertical. Mesmo assim assisti a várias boas apresentações. Umas me marcaram mais, como a do carioca Pedro Henrique que mostrou muito conhecimento do pico e achou vários tubos, o estilo e pressão do japonês Massatoshi Onno, a regularidade e verticalidade do gaúcho Rodrigo Dorneles e um REENTRY do californiano Brett Simpson, que toda praia achou que ele não completaria. Nessa onda Brett começou com uma boa batida de back side para logo em seguida conseguir espaço e entrar por debaixo de um lip grosso em uma junção de uns dois metros, despencar até a base da onda, desaparecer na espuma em seguida aparecer com controle total.

A lista dos que se destacaram é muito grande, mas não posso deixar de falar da performance do grande campeão, o catarinense Neco Padaratz. Neco surfou muito bem em todas as suas apresentações, sem deixar dúvidas quanto as suas vitórias. A onda de Itaúna além de ser muito forte, tem também muita areia o que favoreceu o Neco, que precisa de espaço para definir bem sua linha nas ondas. Conseguindo muita projeção nas cavadas e atacando a onda com muita força, o resultado era água voando para todo lado, do jeito que os juízes gostam de ver.

Acabado o campeonato todos concordaram que Saquarema não pode ficar fora do calendário de competições nacionais e internacionais. Ainda mais levando em conta que a fórmula do sucesso de um campeonato de surf está diretamente ligada à qualidade das ondas. Ouvi até alguns boatos de que a etapa de Saquarema vai virar uma etapa PRIME (mais pontos) do WQS. Apenas ondas muito boas têm a honra de ganhar esse status.

Apesar de estar trabalhando, ficar hospedado em uma pousada na areia da praia de Itaúna, conseguir tempo para surfar em alguns dias, antes e após o término do campeonato, ver velhos amigos e ainda poder assistir de camarote a um verdadeiro show de surf, tornaram minha estadia em Saquarema um grande prazer.

Grande abraço.

Pedro Muller

http://www.escolapedromuller.com.br

Por: Equipe Sandálias Kenner